quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sinais de Pontuação

Os sinais de pontuação são recursos gráficos próprios da linguagem escrita. Embora não consigam reproduzir toda a riqueza melódica da linguagem oral, eles estruturam os textos e procuram estabelecer as pausas e as entonações da fala. Basicamente, têm como finalidade:

  •    Assinalar as pausas e as inflexões de voz (entoação) na leitura;
  •  Separar palavras, expressões e orações que devem ser destacadas;
  • Esclarecer o sentido da frase, afastando qualquer ambiguidade.
Veja a seguir os sinais de pontuação mais comuns, responsáveis por dar à escrita maior clareza e simplicidade:

      Vírgula( , )
            Pequena pausa que separa as palavras numa enumeração. Usa-se vírgula:
ü  Separando as orações coordenadas assindéticas: Pare, olhe, siga.
ü  Separando as orações coordenadas sindéticas, exceto as ligadas pela conjunção e: Vá, mas volte depressa.
ü  Separando as orações coordenadas sindéticas, ligadas pela conjunção e, de sujeitos diferentes: Ele foi ao Japão, e ela à Itália.
ü  Separando as orações adverbiais: Quando saístes, ela chegou.
ü  Separando as orações adjetivas explicativas: O homem, que é mortal, acaba virando pó.
ü  Separando as orações intercaladas : Creio, afirmou Antônio, que este é um caso perdido.
ü  Separando as orações reduzidas: Saciada a sede, contou-nos a aventura.
ü  Separando elementos da mesma função sintática, normalmente assindéticos: Os livros, os cadernos e os lápis estão sobre a mesa.
ü  Assinalando a supressão do verbo: Maria era rica; José, pobre.
ü  Separando adjuntos adverbiais antecipados: Naquele momento, todo o pelotão se pôs em fuga.
ü  Separando o aposto: Jorge Amado, autor de Jubiabá, é um excelente romancista.
ü  Separando o vocativo: Não toque nesses doces, menino!
ü  Separando, nas datas, a localidade: Rio Grande do Sul, 23 de dezembro de 2014.

            Ponto( . )
            Assinala o final de um período simples ou composto:
ü  As finanças do Brasil não iam mal, permitiam despesas de vulto. Iniciaram-se então as obras contra a seca do Nordeste, que logo foram interrompidas.

            Ponto-e-vírgula( ; )
            Sinal intermediário entre a vírgula e o ponto. Observa-se a tendência, entre os escritores modernos, de se usar o ponto onde normalmente se usava o ponto-e-vírgula.
    É usado geralmente:
ü  Separando as orações coordenadas assindéticas de maior extensão: Creio que todos chegarão cedo; o avião decolou no horário previsto.
ü  Separando, numa série, elementos que já estão interiormente separados por vírgula: Encontramos na reunião: José, o presidente; Pedro, o vice; Carlos, o primeiro secretário; Francisco, o tesoureiro.
ü  Separando orações ligadas pelas conjunções por conseguinte, portanto, contudo, entretanto, consequentemente: Nós não quisemos esperar; contudo, afirmava-se que eles não demorariam.

            Dois pontos( : )
            Empregam-se os dois pontos:
ü  Antes de uma citação: Vejamos o que nos diz Gilberto Freyre:”a arquitetura doméstica no Brasil está em fase de transição de patriarcal para sua adaptação a circunstâncias pós-patriarcais.”
ü  Antes de enumeração de uma série de itens: A dupla articulação da linguagem caracteriza-se: a) pela combinação e b) pela comutação.
ü  Entre duas afirmativas, quando a segunda explica ou esclarece a primeira: Todos sabiam: ele não seria eleito.

            Ponto de interrogação( ? )
            Emprega-se no final no final de palavra ou frase para indicar pergunta direta:
ü  Como? Você vai sair hoje? Com quem?

            Ponto de exclamação( ! )
      Usa-se nos enunciados de entoação exclamativa, depois de interjeições, vocativos, apóstrofes ou verbos no imperativo:
ü  Que bela vitória!
ü  -Ó jovens! Lutemos!
ü  -Corra!
ü  O pacote caiu bem no meio da calçada: ploft!

            Reticências( ... )
      Marcam uma interrupção da frase. São usadas também para exprimir dúvida ou para indicar que a ideia vai além do que ficou expresso:
ü  Vou contar aos senhores... principiou Alexandre amarrando o cigarro de palha.

            Aspas ( “ “ )
      As aspas têm como função destacar uma parte do texto. São empregadas:
ü  Antes e depois de citações ou transcrições textuais.
Por Exemplo:
Como disse Machado de Assis: "A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada."
ü  Para representar nomes de livros ou legendas.
Por Exemplo:
Camões escreveu "Os Lusíadas" no século XVI.
Obs.: para realçar títulos de livros, revistas, jornais, filmes, etc. também podemos grifar as palavras, conforme o exemplo:
Ontem assisti ao filme Central do Brasil.
- Para assinalar estrangeirismos, neologismos, gírias, expressões populares, ironia.
Exemplos:
O "lobby" para que se mantenha a autorização de importação de pneus usados no Brasil está cada vez mais descarado.(Veja)

Com a chegada da polícia, os três suspeitos "se mandaram" rapidamente.
Que "maravilha": Felipe tirou zero na prova!
ü  Para realçar uma palavra ou expressão.
Exemplos:

Mariana reagiu impulsivamente e lhe deu um "não".
Quem foi o "inteligente" que fez isso?
Obs.: em trechos que já estiverem entre aspas, se necessário usá-las novamente, empregam-se aspas simples.
Por Exemplo: "Tinha-me lembrado da definição que José Dias dera deles, 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada'. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar." (Machado de Assis)

            Parênteses ( ( ) )
      Os parênteses têm a função de intercalar no texto qualquer indicação que, embora não pertença propriamente ao discurso, possa esclarecer o assunto. Empregam-se:
ü  Para separar qualquer indicação de ordem explicativa, comentário ou reflexão.
Por Exemplo:
Zeugma é uma figura de linguagem que consiste na omissão de um termo (geralmente um verbo) que já apareceu anteriormente na frase.
ü  Para incluir dados informativos sobre bibliografia (autor, ano de publicação, página etc.)
Por Exemplo:
            " O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros" (Jean- Jacques Rousseau, Do Contrato Social e outros escritos. São Paulo, Cultrix, 1968.)
ü  Para isolar orações intercaladas com verbos declarativos, em substituição à vírgula e aos travessões.
Por Exemplo:
            Afirma-se (não se prova) que é muito comum o recebimento de propina para que os carros apreendidos sejam liberados sem o recolhimento das multas.
ü  Para delimitar o período de vida de uma pessoa.
Por Exemplo:
Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987).
ü  Para indicar possibilidades alternativas de leitura.
Por Exemplo:
Prezado(a) usuário(a).
ü  Para indicar marcações cênicas numa peça de teatro.
Por Exemplo:
Abelardo I - Que fim levou o americano?
João - Decerto caiu no copo de uísque!
Abelardo I - Vou salvá-lo. Até já!
(sai pela direita)
(Oswald de Andrade)

            Travessão ( – )
      O travessão é um traço maior que o hífen e costuma ser empregado:
ü  No discurso direto, para indicar a fala da personagem ou a mudança de interlocutor nos diálogos.
Por Exemplo:
– O que é isso, mãe?
– É o seu presente de aniversário, minha filha.
ü  Para separar expressões ou frases explicativas, intercaladas.
Por Exemplo:
"E logo me apresentou à mulher, – uma estimável senhora – e à filha." (Machado de Assis)
ü  Para destacar algum elemento no interior da frase, servindo muitas vezes para realçar o aposto.
Por Exemplo:
"Junto do leito meus poetas dormem
– O Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron –
Na mesa confundidos." (Álvares de Azevedo)
ü  Para substituir o uso de parênteses, vírgulas e dois-pontos, em alguns casos.
Por Exemplo:
"Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente selvagem, a arte é a superioridade humana – acima dos preceitos que se combatem, acima das religiões que passam, acima da ciência que se corrige; embriaga como a orgia e como o êxtase." (Raul Pompeia)

            Asterisco ( * )
            O asterisco, sinal gráfico em forma de estrela, costuma ser empregado:
ü  Nas remissões a notas ou explicações contidas em pé de páginas ou ao  final de capítulos.
Por Exemplo:
Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria, confeitaria, leiteria e muitas outras que contêm o morfema preso* -aria e seu alomorfe -eria, chegamos à conclusão de que este afixo está ligado a estabelecimento comercial. Em alguns contextos pode indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria, etc.

* É o morfema que não possui significação autônoma e sempre aparece ligado a outras palavras.
ü  Nas substituições de nomes próprios não mencionados.
Por Exemplo:
O Dr.* conversou durante toda a palestra.
O jornal*** não quis participar da campanha.

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