sexta-feira, 21 de abril de 2017

Coerência e Coesão
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              Coerência e coesão textuais são dois conceitos importantes para uma melhor compreensão do texto e para a melhor escrita de trabalhos de redação de qualquer área.
            A coesão trata basicamente das articulações gramaticais existentes entre as palavras, as orações e frases para garantir uma boa sequenciação de eventos. A [coerência], por sua vez, aborda a relação lógica entre ideias, situações ou acontecimentos, apoiando-se, por vezes, em mecanismos formais, de natureza gramatical ou lexical, e no conhecimento compartilhado entre os usuários da língua.
ü  Coesão
            É a conexão que liga elementos no texto (palavras, orações, períodos, parágrafos), que cria harmonia entre os elementos de um texto.
Exemplo:
            Gabriel estuda.Gabriel trabalha. (esse exemplo não é coeso pois não estabelece uma conexão) Paulo estuda e trabalha. (Corrigindo o exemplo, agora ele está coeso pois adicionamos o e).

ü  Coerência
Coerência é a propriedade do texto que permite que se construa sentido a partir dele, estabelecendo relação entre suas partes e entre o próprio texto e a situação de sua ocorrência.
            Aquele garoto não gosta de futebol e, portanto, fica chamando seus amigos para jogar (incoerência, porque quem não gosta de um esporte evita praticá-lo).
            Fanático por futebol, o pai de João obriga o filho a jogar. Mas aquele garoto não gosta de futebol e, portanto, fica chamando seus amigos para jogar. Assim, ele pode ficar a um canto enquanto os amigos jogam, e a algazarra que fazem dá ao pai a falsa impressão de que o filho está se divertindo (coerência restabelecida por acréscimo de informações ou contexto, ficando assim coerente para os leitores/ouvintes).

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sinais de Pontuação

Os sinais de pontuação são recursos gráficos próprios da linguagem escrita. Embora não consigam reproduzir toda a riqueza melódica da linguagem oral, eles estruturam os textos e procuram estabelecer as pausas e as entonações da fala. Basicamente, têm como finalidade:

  •    Assinalar as pausas e as inflexões de voz (entoação) na leitura;
  •  Separar palavras, expressões e orações que devem ser destacadas;
  • Esclarecer o sentido da frase, afastando qualquer ambiguidade.
Veja a seguir os sinais de pontuação mais comuns, responsáveis por dar à escrita maior clareza e simplicidade:

      Vírgula( , )
            Pequena pausa que separa as palavras numa enumeração. Usa-se vírgula:
ü  Separando as orações coordenadas assindéticas: Pare, olhe, siga.
ü  Separando as orações coordenadas sindéticas, exceto as ligadas pela conjunção e: Vá, mas volte depressa.
ü  Separando as orações coordenadas sindéticas, ligadas pela conjunção e, de sujeitos diferentes: Ele foi ao Japão, e ela à Itália.
ü  Separando as orações adverbiais: Quando saístes, ela chegou.
ü  Separando as orações adjetivas explicativas: O homem, que é mortal, acaba virando pó.
ü  Separando as orações intercaladas : Creio, afirmou Antônio, que este é um caso perdido.
ü  Separando as orações reduzidas: Saciada a sede, contou-nos a aventura.
ü  Separando elementos da mesma função sintática, normalmente assindéticos: Os livros, os cadernos e os lápis estão sobre a mesa.
ü  Assinalando a supressão do verbo: Maria era rica; José, pobre.
ü  Separando adjuntos adverbiais antecipados: Naquele momento, todo o pelotão se pôs em fuga.
ü  Separando o aposto: Jorge Amado, autor de Jubiabá, é um excelente romancista.
ü  Separando o vocativo: Não toque nesses doces, menino!
ü  Separando, nas datas, a localidade: Rio Grande do Sul, 23 de dezembro de 2014.

            Ponto( . )
            Assinala o final de um período simples ou composto:
ü  As finanças do Brasil não iam mal, permitiam despesas de vulto. Iniciaram-se então as obras contra a seca do Nordeste, que logo foram interrompidas.

            Ponto-e-vírgula( ; )
            Sinal intermediário entre a vírgula e o ponto. Observa-se a tendência, entre os escritores modernos, de se usar o ponto onde normalmente se usava o ponto-e-vírgula.
    É usado geralmente:
ü  Separando as orações coordenadas assindéticas de maior extensão: Creio que todos chegarão cedo; o avião decolou no horário previsto.
ü  Separando, numa série, elementos que já estão interiormente separados por vírgula: Encontramos na reunião: José, o presidente; Pedro, o vice; Carlos, o primeiro secretário; Francisco, o tesoureiro.
ü  Separando orações ligadas pelas conjunções por conseguinte, portanto, contudo, entretanto, consequentemente: Nós não quisemos esperar; contudo, afirmava-se que eles não demorariam.

            Dois pontos( : )
            Empregam-se os dois pontos:
ü  Antes de uma citação: Vejamos o que nos diz Gilberto Freyre:”a arquitetura doméstica no Brasil está em fase de transição de patriarcal para sua adaptação a circunstâncias pós-patriarcais.”
ü  Antes de enumeração de uma série de itens: A dupla articulação da linguagem caracteriza-se: a) pela combinação e b) pela comutação.
ü  Entre duas afirmativas, quando a segunda explica ou esclarece a primeira: Todos sabiam: ele não seria eleito.

            Ponto de interrogação( ? )
            Emprega-se no final no final de palavra ou frase para indicar pergunta direta:
ü  Como? Você vai sair hoje? Com quem?

            Ponto de exclamação( ! )
      Usa-se nos enunciados de entoação exclamativa, depois de interjeições, vocativos, apóstrofes ou verbos no imperativo:
ü  Que bela vitória!
ü  -Ó jovens! Lutemos!
ü  -Corra!
ü  O pacote caiu bem no meio da calçada: ploft!

            Reticências( ... )
      Marcam uma interrupção da frase. São usadas também para exprimir dúvida ou para indicar que a ideia vai além do que ficou expresso:
ü  Vou contar aos senhores... principiou Alexandre amarrando o cigarro de palha.

            Aspas ( “ “ )
      As aspas têm como função destacar uma parte do texto. São empregadas:
ü  Antes e depois de citações ou transcrições textuais.
Por Exemplo:
Como disse Machado de Assis: "A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada."
ü  Para representar nomes de livros ou legendas.
Por Exemplo:
Camões escreveu "Os Lusíadas" no século XVI.
Obs.: para realçar títulos de livros, revistas, jornais, filmes, etc. também podemos grifar as palavras, conforme o exemplo:
Ontem assisti ao filme Central do Brasil.
- Para assinalar estrangeirismos, neologismos, gírias, expressões populares, ironia.
Exemplos:
O "lobby" para que se mantenha a autorização de importação de pneus usados no Brasil está cada vez mais descarado.(Veja)

Com a chegada da polícia, os três suspeitos "se mandaram" rapidamente.
Que "maravilha": Felipe tirou zero na prova!
ü  Para realçar uma palavra ou expressão.
Exemplos:

Mariana reagiu impulsivamente e lhe deu um "não".
Quem foi o "inteligente" que fez isso?
Obs.: em trechos que já estiverem entre aspas, se necessário usá-las novamente, empregam-se aspas simples.
Por Exemplo: "Tinha-me lembrado da definição que José Dias dera deles, 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada'. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar." (Machado de Assis)

            Parênteses ( ( ) )
      Os parênteses têm a função de intercalar no texto qualquer indicação que, embora não pertença propriamente ao discurso, possa esclarecer o assunto. Empregam-se:
ü  Para separar qualquer indicação de ordem explicativa, comentário ou reflexão.
Por Exemplo:
Zeugma é uma figura de linguagem que consiste na omissão de um termo (geralmente um verbo) que já apareceu anteriormente na frase.
ü  Para incluir dados informativos sobre bibliografia (autor, ano de publicação, página etc.)
Por Exemplo:
            " O homem nasceu livre, e em toda parte se encontra sob ferros" (Jean- Jacques Rousseau, Do Contrato Social e outros escritos. São Paulo, Cultrix, 1968.)
ü  Para isolar orações intercaladas com verbos declarativos, em substituição à vírgula e aos travessões.
Por Exemplo:
            Afirma-se (não se prova) que é muito comum o recebimento de propina para que os carros apreendidos sejam liberados sem o recolhimento das multas.
ü  Para delimitar o período de vida de uma pessoa.
Por Exemplo:
Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987).
ü  Para indicar possibilidades alternativas de leitura.
Por Exemplo:
Prezado(a) usuário(a).
ü  Para indicar marcações cênicas numa peça de teatro.
Por Exemplo:
Abelardo I - Que fim levou o americano?
João - Decerto caiu no copo de uísque!
Abelardo I - Vou salvá-lo. Até já!
(sai pela direita)
(Oswald de Andrade)

            Travessão ( – )
      O travessão é um traço maior que o hífen e costuma ser empregado:
ü  No discurso direto, para indicar a fala da personagem ou a mudança de interlocutor nos diálogos.
Por Exemplo:
– O que é isso, mãe?
– É o seu presente de aniversário, minha filha.
ü  Para separar expressões ou frases explicativas, intercaladas.
Por Exemplo:
"E logo me apresentou à mulher, – uma estimável senhora – e à filha." (Machado de Assis)
ü  Para destacar algum elemento no interior da frase, servindo muitas vezes para realçar o aposto.
Por Exemplo:
"Junto do leito meus poetas dormem
– O Dante, a Bíblia, Shakespeare e Byron –
Na mesa confundidos." (Álvares de Azevedo)
ü  Para substituir o uso de parênteses, vírgulas e dois-pontos, em alguns casos.
Por Exemplo:
"Cruel, obscena, egoísta, imoral, indômita, eternamente selvagem, a arte é a superioridade humana – acima dos preceitos que se combatem, acima das religiões que passam, acima da ciência que se corrige; embriaga como a orgia e como o êxtase." (Raul Pompeia)

            Asterisco ( * )
            O asterisco, sinal gráfico em forma de estrela, costuma ser empregado:
ü  Nas remissões a notas ou explicações contidas em pé de páginas ou ao  final de capítulos.
Por Exemplo:
Ao analisarmos as palavras sorveteria, sapataria, confeitaria, leiteria e muitas outras que contêm o morfema preso* -aria e seu alomorfe -eria, chegamos à conclusão de que este afixo está ligado a estabelecimento comercial. Em alguns contextos pode indicar atividades, como em: bruxaria, gritaria, patifaria, etc.

* É o morfema que não possui significação autônoma e sempre aparece ligado a outras palavras.
ü  Nas substituições de nomes próprios não mencionados.
Por Exemplo:
O Dr.* conversou durante toda a palestra.
O jornal*** não quis participar da campanha.
Preconceito Linguístico
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            É a não aceitação da diferença linguística, é um comportamento social facilmente observável. Ocorre como rejeição a certas variedades, concretizada na desqualificação de pronúncias, de construções gramaticais e de usos vocabulares, sendo compartilhada sem conflito pelo senso comum. Existe sempre um conjunto de variedades linguísticas em circulação no meio social. Aprende-se a variedade a que se é exposto, e não há nada de errado com essas variedades. Os grupos sociais dão continuidade à herança linguística recebida.
Variação Linguística
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Todas as línguas do mundo são sempre continuações históricas – gerações sucessivas de indivíduos legam a seus descendentes o domínio de uma língua particular. As mudanças temporais são parte da história das línguas. No plano sincrônico, as variações observadas na língua são relacionáveis a fatores diversos: dentro de uma mesma comunidade de fala, pessoas de diferentes origens, idades e sexos falam distintamente.
Não há casualidade entre o fato de nascer em uma determinada região, ser de uma classe social e falar de certa maneira.
Em qualquer comunidade de fala podemos observar a coexistência de um conjunto de variedades linguísticas. Na realidade objetiva da vida social, há sempre uma ordenação valorativa das variedades linguísticas em uso, que reflete a hierarquia dos grupos sociais.
Tradicionalmente, o melhor modo de falar e as regras do bom uso correspondem aos hábitos dos linguísticos dos grupos socialmente dominantes. Na tradição ocidental – a variedade padrão.
Variedade padrão – representa o ideal de homogeneidade em meio à realidade concreta da variação linguística - algo que por estar acima do corpo social, representa o conjunto de suas diversidades e contradições.
            Toda língua é adequada à comunidade que a utiliza, sendo um sistema completo que permite a um povo exprimir o mundo físico e simbólico em que vive. É absolutamente impróprio dizer que há línguas pobres em vocabulário. Não existem também sistemas gramaticais imperfeitos.
            As diferenças linguísticas observáveis nas comunidades em geral são vistas como um dado inerente ao fenômeno linguístico. Porém, há outros “(des)entendimentos” sobre o fenômeno da variação linguística que deram origem ao que ficou conhecido como preconceito linguístico.

DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

Denotação e conotação
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A língua portuguesa é rica, interessante, criativa e versátil, encontrando-se em constante evolução. As palavras não apresentam apenas um significado objetivo e literal, mas sim uma variedade de significados, mediante o contexto em que ocorrem e as vivências e conhecimentos das pessoas que as utilizam.

Exemplos de variação no significado das palavras:
>Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido próprio ou literal)
>Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido figurado)
>Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)

As variações nos significados das palavras ocasionam o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo (conotação) das palavras. O sentido denotativo é também conhecido como sentido próprio ou literal e o sentido conotativo é também conhecido como sentido figurado.

Denotação

Uma palavra é usada no sentido denotativo (próprio ou literal) quando apresenta seu significado original, independentemente do contexto frásico em que aparece. Quando se refere ao seu significado mais objetivo e comum, aquele imediatamente reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado que aparece nos dicionários, sendo o significado mais literal da palavra.

A denotação tem como finalidade informar o receptor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo assim um caráter prático e utilitário. É utilizada em textos informativos, como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bulas de medicamentos, textos científicos, entre outros.

Exemplos:
>O elefante é um mamífero.
>Já li esta página do livro.
>A empregada limpou a casa.

Conotação

Uma palavra é usada no sentido conotativo (figurado) quando apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes interpretações, dependendo do contexto frásico em que aparece. Quando se refere a sentidos, associações e ideias que vão além do sentido original da palavra, ampliando sua significação mediante a circunstância em que a mesma é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.

A conotação tem como finalidade provocar sentimentos no receptor da mensagem, através da expressividade e afetividade que transmite. É utilizada principalmente numa linguagem poética e na literatura, mas também ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em anúncios publicitários, entre outros.

Exemplos:
>Você é o meu sol!
>Minha vida é um mar de tristezas.
>Você tem um coração de pedra!
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